quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De volta

Estou de volta ao mundo virtual. Pois é, depois de longos 5 meses, estou de volta à minha rotina de blogueira. Os motivos são muitos, então não vou perder tempo explicando. Mas esta pausa foi muito boa, produtiva, tanto para mim, quanto para o blog. Estou com 6 meses de Japão e muita coisa aconteceu durante todo este tempo. A melhor de todas é que minha família está comigo e agora temos uma rotina aqui em Nagoya. E por ter uma rotina, agora posso dizer que consigo ver as coisas com mais clareza e maturidade.
Continuo gostando muito da vida aqui, do meu dia-a-dia, além de estar bem consciente de que não cometi um erro, mas foi uma das melhores coisas que poderia ter feito por mim e pela minha família.
Estou num ambiente muito bom para os estudos, tenho tempo para isso e ainda tenho sido uma mãe e uma mulher muito melhores do que eu era no Brasil, com uma jornada de trabalho (fora de casa) que chegava a algo em torno de 13 a 14 horas por dia.
Tenho tido tempo para mim e para meus momentos de relax.
Consigo ver pontos negativos ou ainda vivo na "lua-de-mel" da adaptação? Vejo as mesmas coisas ruins de quando cheguei aqui no dia 6 de abril: saudade de quem amo e deixei por lá e também dos ótimos momentos que tive durante 34 anos na mesma cidade.
Mas não gosto de ficar lembrando deles com tristeza, mas como gotas de felicidade que recheiam toda a minha vida.
Bom, num balanço geral da minha mudança: acertei e estou feliz! E agora, de volta ao blog!

sábado, 23 de maio de 2009

Minha primeira redação em japonês


Se é que posso chamar de redação. Vamos lá, um pequeno texto, de poucas linhas. Era para eu falar de um momento inesquecível na minha vida, marcante. Não sei o que foi mais difícil, escolher o assunto ou conectar as idéias para a língua japonesa, pois tenho tantos momentos felizes e marcantes que não sabia qual escolher.

Escolhi a última viagem que fiz com minha família antes de vir para cá por ter sido um momento extremamente especial nas nossas vidas. Aí, sabia exatamente o que dizer, mas faltavam as palavras, pois meu vocabulário japonês é de uma pobreza de dar dó.

Depois de muitos neurônios queimados (hehehehehe!) terminei meu texto. Até que não ficou tão mal.

Meu primeiro texto em japonês de muitos que ainda virão.

O cara se empolgou!

E a apresentação da banda empolgou mesmo o público!
video

Rock na praça




Alguém já ouviu banda de rock japonesa? Confesso que eu não conhecia nenhuma até chegar por aqui. Na verdade, nunca fui de ouvir música japonesa e, quando ouvia, não sabia quem estava tocando e, na maioria das vezes, nem que eram japoneses. Enfim... Cheguei aqui, logo na minha primeira semana, fui a um karaokê e conheci alguns dos famosos astros nipônicos, apesar de continuar sem saber os nomes.


Um belo dia, nos meus passeios solitários, em busca de curiosidades, dei de cara com um show de rock na praça. Bandas de garagem, iniciantes, montam o som ao ar livre e soltam o rock. Como amante do rock, não deu outra, fiquei por lá um bom tempo compondo a platéia que começou pequena e foi aumentando a cada música tocada.



video

sábado, 16 de maio de 2009

A senha que não é senha

Uma coisa que achei estranho quando cheguei aqui foi quando fui ao banco abrir minha conta. A primeira coisa foi a pergunta do funcionário sobre meu carimbo ou INKAN, como é chamado. Todo japonês tem um carimbo, registrado na Prefeitura, que vale muito mais que uma assinatura (ainda bem que o Dr. Seiji já havia me orientado sobre isso).
Mas isso não foi o surpreendente ou inusitado, e sim o fato de você escrever sua senha nos documentos de abertura de conta. Imaginem! A senha é escrita nos seus documentos. Como assim escrita?! E isso é senha? Aqui é. Mas nem chamam de password (senha em inglês), mas PIN code.
Um mês após a minha chegada, abri conta em outro banco japonês. No momento de abertura da conta o que o funcionário pediu novamente? "Escreva seu código PIN, por favor!"
Quando fui à agência do Banco do Brasil abrir minha conta-poupança, o funcionário logo me alertou: "Eu preciso que a senhora assine duas vezes aqui. Assinaturas iguais, por favor! O Inkan aqui não vale!"
E em seguida: "A senhora vai criar duas senhas, digitá-las duas vezes e memorize-as, por favor! Não anote!"
São as diferenças Brasil-Japão!

Mais uma sobre roubo

Essa é rapidinha, uma amiga quem contou. Um amigo nosso saiu um dia para ir ao supermercado de bicicleta e esqueceu de colocar a trava. Quando retornou, cadê a bicicleta? Resolveu procurar e, de repente, a viu estacionada na porta de uma loja. Ele então colocou a trava e ficou escondido para ver quem havia cometido o crime. Adivinhem só, uma velhinha havia pego a bicicleta do nosso amigo. Eles não roubam com a intenção de cometer o crime, mas, simplesmente, com o intuito de "pegar emprestado" para resolver um problema imediato. Depois largam em algum lugar.
Quem é esperto não deixa as coisas dando sopa nem no Japão.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O roubo do guarda-chuva

Gente, fiquei indignada um dia desses. Não é que fui roubada em pleno Japão!? Pasmem! Mas é a mais pura verdade. E o pior, o objeto não vale quase nada financeiramente, mas, desde então, tem me feito muita falta.

O número de registros de roubo no Japão é bem baixo, mas o japonês tem uma mania feia de pegar objetos de outras pessoas, sem permissão. Como alguns são de valores irrisórios, não é registrado o roubo. Mas, desde pequena, aprendi que não se pega nada de ninguém, a não ser que a pessoa dê a você. Então, resumindo, se alguém pegou meu guarda-chuva que custou apenas 100 ienes, ou 1 dólar, sem que eu tomasse conhecimento, significa: fui roubada!

Comprei o guarda-chuva logo na semana que cheguei, pois aqui, quando chove, passa o dia inteiro, às vezes dois até, com aquela chuvinha tranquila e serena. Comprei um barato para não correr o risco de ficar com raiva se acontecesse algo com ele.

Quando meus amigos brasileiros viram, me alertaram:"Fique de olho no seu guarda-chuva!" Eu achei exagero dos meninos, já que ele tinha sido muuuiiito barato. Em seguida eles disseram: "Eles pegam é desse teu modelo mesmo, porque é barato. E pegam porque são folgados." De onde eles pegam? Dos suportes para guarda-chuvas que existem em toda entrada de prédio daqui de Nagoya. Aí meu amigo Rafael disse: "Toma cuidado! O meu era igual ao teu. Roubaram no dia em que eu comprei."

Mas como a gente fica meio bobo depois que chega aqui, às vezes eu deixava o troço nos suportes. Num belo dia de chuva, e de chuva bem forte, quando eu saía de um determinado local, procurei meu guarda-chuva e não havia nem a sombra dele.

Pense numa pessoa que ficou revoltada! Algum engraçadinho não queria se molhar e foi se proteger com o meu guarda-chuva. Enquanto isso, voltei molhada para casa.

Toda vez que chove, como hoje, fico indignada com o roubo do meu guarda-chuva.